27 de fevereiro de 2021

Brasil

Pazuello alerta para contágio mais rápido, e porta-voz de estados prevê março como pior mês

Em pronunciamento ao lado de representantes de secretários estaduais e municipais de Saúde, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse na última quinta-feira (25) que o país vive “uma nova etapa da pandemia” de Covid-19, com aumento na contaminação que pode “surpreender gestores”.

Nesta quinta (25), completou-se um ano do diagnóstico do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, um dia antes o país bateu a marca de 250 mil mortes pela doença.

Para Pazuello, esse aumento está ligado às novas variantes do coronavírus. “Hoje o vírus mutado nos dá três vezes mais contaminação e a velocidade com que isso acontece em pontos focais pode surpreender o gestor em termos de estrutura de apoio”, disse. “Vimos locais que no ano passado não estavam impactados nessa época do ano e estão impactados agora”, afirma.

Já para os representantes de secretários estaduais e municipais de Saúde, a medida também está ligada a uma queda na adesão da população a medidas como distanciamento.

“Precisamos ligar o alerta, porque vamos viver semanas muito difíceis, talvez as mais difíceis enfrentradas na pandemia”, afirmou Carlos Lula, presidente do Conass (conselho que representa secretários estaduais de Saúde). Para ele, o mês de março poderá ser o mais difícil já enfrentado devido ao alto número de estados com leitos ocupados.

“Nunca tivemos tantos estados com tanta dificuldade ao mesmo tempo, seja por novas cepas ou pelo cansaço da população”, afirmou Lula, citando que 15 estados já têm taxas de ocupação dos leitos acima de 90%.

Ainda no encontro, Pazuello citou três ações prioritárias para enfrentar a pandemia nessa etapa: atendimento imediato de casos em unidades básicas de saúde, aumento de leitos de UTI, inclusive com possibilidade de transferência de pacientes, e vacinação contra a Covid-19.

No entanto, Pazuello não mencionou medidas de prevenção simples, como usar máscara e evitar aglomerações. Coube aos representantes dos estados e municípios ressaltarem as medidas.

“Apenas criar leitos não adianta. Precisamos da ajuda da sociedade. A sociedade tem que entender que não é hora de fazer festa, de estar junto”, disse Lula.

“Orientamos secretários municipais a fortalecer medidas protetivas, conforme o fator epidemiológico local. A sociedade precisa entender que a fase que passamos agora é mais difícil do que no início da pandemia no Brasil. Pedimos que a população não abandone a obediência cega à ciência”, afirmou o presidente do Conasems, Wilames Bezerra.

Folha PE

Pazuello espera vacinar 170 milhões de brasileiros até o fim deste ano

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse hoje (25) que espera imunizar até junho 50% da população vacinável do país, atingindo 100% até o final do ano. Pelos cálculos do ministro, isso totalizaria cerca de 170 milhões de brasileiros. Segundo Pazuello, a conta exclui as pessoas que estão na faixa etária até 18 anos, mulheres grávidas, portadores de comorbidades graves e pessoas imunodeprimidas. “Tem pessoas que ainda não podem ser vacinadas.”

Pazuello informou que, desde o início da campanha de vacinação até o momento – em torno de 35 dias –, foram distribuídos entre 13 milhões e 14 milhões de doses de vacina. “É uma vitória do nosso país, com produção própria, em alguns casos; com importação, em outros; e com a capacidade logística de distribuir isso para os estados e para 5.570 municípios de forma simultânea.”

De acordo com o ministro, não existe nenhuma ação que não esteja sendo feita para garantir a vacinação. Pazuello destacou que foram contratadas todas as vacinas “possíveis de ser contratadas. Falo do cronograma com contratos assinados e entregues”. Quem não cumprir os contratos sofrerá medidas cabíveis, advertiu.

Pazuello ressaltou a responsabilidade de cada um no Sistema Único de Saúde (SUS) neste momento da pandemia. “Não podemos deixar de fazer nada”. Ele afirmou que, na ponta da linha, os secretários estaduais e municipais de Saúde e os diretores de hospitais têm que fazer de tudo para aumentar a capacidade de atendimento, de pronto atendimento “e de salvar vidas”.

O ministro prometeu apoio aos secretários, “com tudo que for necessário”, e se disse convicto de que não deixou nada, nem ninguém para trás.

Cepas

Pazuello admitiu que diversas cepas do coronavírus já estão no Brasil e destacou que o modo como se desenvolvem em cada cidade e região depende de fatores climáticos, sociais, de saneamento e de cultura.

Segundo o ministro, em Manaus, as medidas implementadas reduziram o número de pacientes infectados, inclusive em unidades de terapia intensiva (UTIs). “Hoje, a informação é que não haveria mais fila em Manaus. É uma grande notícia e isso mostra resultados de um grande trabalho.”

Ele informou, porém, que o número de casos aumentou no oeste do Pará, em Belém, nas capitais do Ceará e da Paraíba, em Goiás, na cidade catarinense de Chapecó e no Rio Grande do Sul, com pontos focais subindo. “Na nossa visão, estamos enfrentando uma nova etapa da pandemia. Ela tem esse vírus mutável que nos dá três vezes mais contaminação. E a velocidade com que isso acontece em pontos focais pode surpreender o gestor em termos de estrutura de apoio. Essa é a realidade que nós vivemos hoje no Brasil.”

O ministro disse que a nova realidade não está centrada apenas no Norte e Nordeste do país, como ocorreu em 2020 e que há outros locais impactados agora. Por isso, destacou a necessidade de o país estar alerta e preparado para combater o vírus.

Com esse objetivo, Pazuello citou três grandes ações. A primeira é o atendimento imediato nas unidades básicas de saúde. A segunda envolve a estruturação da capacidade em leitos para atendimento, incluindo desde recursos humanos e equipamentos até o uso de leitos remoto, ou seja, remoções. E a terceira é a vacinação. “Com essas três grandes estratégias, nós vamos enfrentar a pandemia nessa nova etapa”, afirmou.

Vereador de Salvador, Irmão Lázaro é intubado com Covid-19 e transferido para UTI

Diagnosticado com Covid-19, o cantor evangélico e vereador de Salvador Irmão Lázaro precisou ser intubado na manhã desta quinta-feira (25). Ele estava internado desde segunda-feira (22) em hospital de Feira de Santana, mas apresentou uma piora e teve que ser transferido para a UTI.

O cantor começou a sentir os sintomas da Covid-19 há 10 dias, mas o resultado positivo saiu apenas no final de semana. Ele será transferido ainda nesta quinta para o Hospital Aliança, em Salvador, para dar continuidade ao tratamento.

Em nota, a assessoria confirmou o quadro de saúde do artista, e solicitou que os amigos e admiradores de seu trabalho orem por ele.

No comunicado, a equipe agradeceu ainda todo o apoio e carinho oferecido ao cantor evangélico.

“Esclarecimento quadro Clínico Irmão Lázaro.

Queremos por meio desta nota informar aos amigos e admiradores que Irmão Lázaro foi transferido para UTI na manhã desta quinta-feira (25) precisando ser entubado no final da manhã, devido a complicações causadas pela Covid.
Diante do exposto, sua família e amigos reforça o pedido de orações, enquanto crê e espera que, com a permissão de Deus, sua saúde será restaurada.
Agradecemos, por fim, todo o apoio, preces e carinho recebidos até aqui.

‘O que Deus tem pra ti é bem maior’”

Da redação do Portal com informações do Pleno.News

Congresso recebe proposta de privatização da Eletrobras

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, receberam das mãos do presidente da República, Jair Bolsonaro, o texto da Medida Provisória (MP) que trata da capitalização da Eletrobras. A proposta autoriza a privatização da estatal.

Mais cedo, em entrevista, Lira já havia afirmado que a privatização da empresa será feita com responsabilidade, com previsão de democratização na gestão, participação do capital e cláusula sobre golden share, a ação de ouro, terminologia utilizada no mercado acionário para designar as ações que serão retidas pelo poder público no momento em que se desfaz do controle acionário de sociedades onde detinha participação.

Após a entrega do documento, os presidentes fizeram um rápido pronunciamento. Lira quer dar celeridade à votação da proposta na Câmara. Segundo ele, o texto já poderá entrar na pauta da Casa na próxima semana.

“É o primeiro passo do que podemos chamar de uma agenda Brasil com investimentos, capitalização, e uma pauta que andará com as reformas. Estamos cumprindo nosso papel com unidade, respeito e harmonia, que é o que o Brasil precisa”, disse Lira.

Pacheco também destacou que é “fundamental a independência entre os poderes”. Bolsonaro afirmou que as privatizações propostas pela agenda do governo seguirão a todo vapor. “Queremos enxugar o estado, diminuir o estado para que nossa economia possa dar a resposta que a sociedade precisa”, afirmou.

Agência Câmara

Acusada por falsa vacinação em Niterói, técnica de enfermagem vira ré

Uma denúncia formulada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra uma técnica de enfermagem que fez falsa aplicação da vacina contra a covid-19 foi aceita hoje (22) pela Justiça. 

Durante atendimento em Niterói no dia 12 deste mês, a profissional de 42 anos chegou a espetar a seringa carregada no braço de um idoso de 90 anos, mas em seguida a retirou sem pressionar o êmbolo para injetar o imunizante.

A técnica de enfermagem é agora ré. O TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), no entanto, negou o pedido de prisão preventiva e ela poderá responder em liberdade. A juíza Daniela Barboza de Souza levou em consideração que se trata de ré primária, sem maus antecedentes e com endereço fixo. “Não se extrai dos autos os requisitos que legitimam a prisão cautelar, ao menos neste momento, a saber: risco para a ordem pública, a ordem econômica, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal”, escreveu.

A magistrada, no entanto, fixou algumas medidas cautelares. A ré precisará comparecer mensalmente ao juízo e está proibida de se ausentar do estado do Rio de Janeiro por mais de 15 dias sem autorização judicial. Também está impedida de exercer função pública em campanhas de vacinação contra a covid-19.

O episódio ocorreu em um posto drive-thru, onde a pessoa é vacinada dentro do carro. Um vídeo gravado por parentes do idoso a ser vacinado mostrou que o êmbolo da seringa não foi pressionado. Diante do episódio, a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói afastou a técnica de enfermagem de suas funções.

O MPRJ denunciou a técnica de enfermagem pelos crimes de peculato e infração de medida sanitária preventiva. A instituição afirma que ela tinha consciência do que fazia e desviou 0,5 ml do imunizante, em proveito próprio ou alheio. Na semana passada, a profissional também havia sido indiciada pela Polícia Civil pelos mesmos crimes.

O peculato ocorre quando um funcionário público se apropria de um bem a que teve acesso por causa do cargo que ocupa. Já a infração de medida sanitária preventiva tem relação com o descumprimento de determinação do poder público destinada a impedir a propagação de doença contagiosa.

Esse não é o único caso de falsa aplicação de vacina no estado do Rio de Janeiro. Os episódios são pontuais, mas ao menos mais quatro situações são investigadas. Irregularidades desta natureza podem ser denunciadas à Polícia Civil e também ao Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ), responsável pela fiscalização do trabalho e da conduta ética de técnicos de enfermagem e enfermeiros.

Pacheco diz que projeto pode permitir compra de vacinas de Pfizer e Janssen pela iniciativa privada

Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que um projeto de lei será elaborado ainda nesta segunda-feira (22) para autorizar União e também estados e municípios a assumirem os riscos da compra das vacinas da Pfizer e da Janssen -cujas cláusulas são atualmente tidas pelo governo federal como entrave para a compra das imunizações.

Além disso, Pacheco afirmou que a proposta deve conter permissão para que a iniciativa privada participe das aquisições.
As sugestões foram discutidas em encontro com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, como alternativa para tentar destravar a compra da vacinas. Mais cedo, Pacheco também teve reunião com representantes da Pfizer e da Janssen.

“Um projeto que será concebido ainda hoje, no âmbito do Senado Federal, é para que encontremos um caminho que autorize a União, mas também estados e municípios, a assumirem os riscos das compras das vacinas, constituir garantias, cauções e seguros para poder adquirir a vacina”, afirmou na saída do encontro. “E uma ideia que surgiu agora nessa conversa que é a possibilidade de termos a participação da iniciativa privada”, disse.

Segundo ele, a ideia é dar segurança à União para firmar os contratos. Embora discutidas no âmbito da Pfizer e da Janssen, a medida também valeria para outras vacinas.

“Que a União tenha essa segurança legislativa para que faça essa aquisição, e que possamos também nessa esteira autorizar estados, municípios e essa participação da iniciativa privada. Com isso vamos poder ganhar muita escala na aquisição das vacinas”, disse. “Mas, repito, obedecendo o Programa Nacional de Imunização.

A iniciativa privada que queira contribuir que o faça respeitando as regras do PNI e, logo na sequência, cumpridas as prioridades do Brasil e do PNI para vacinação, poder liberar para a iniciativa privada adquirir, o município adquirir. Isso tudo pode ser construído em um segundo momento quando cumpridas as prioridades”, completou.

Na entrevista o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente da República, estava ao lado de Pacheco.

Esse foi o segundo encontro ligado à discussão de medidas para a compra das vacinas. Mais cedo, após se reunir com representantes da Pfizer e da Janssen, Pacheco disse que o Brasil não pode impor aos laboratórios desenvolvedores de vacinas contra a Covid-19 condições específicas contrariando a tendência mundial.

“Se houver uma cláusula no contrato, que seja uma cláusula uniforme, aplicável a todos os demais países e contratantes do laboratório, não se pode impor que haja algum tipo de modificação específica no caso do Brasil.” Além de um projeto de lei, outra alternativa já citada já citada por Pacheco seria uma emenda à medida provisória 1026, que tramita na Câmara e flexibiliza as regras para compra de vacinas.

“É uma possibilidade [que a mudança seja por medida provisória]. Há uma medida provisória 1026 na Câmara dos Deputados. Há uma emenda lá apresentada inclusive pelo senador Randolfe Rodrigues que justamente prevê essa autorização da União para assunção das suas responsabilidades na compra da vacina e podendo constituir garantias, seguros e caução pra essa compra”, disse.

As discussões sobre a tentativa de destravar os contratos ocorrem em meio à críticas ao governo sobre a baixa oferta inicial de vacinas contra a Covid e a demora em fechar novos contratos. Nos últimos dias, sem doses suficientes, ao menos cinco capitais chegaram a suspender campanhas de vacinação.

Segundo o ministério, o Brasil mantém negociações para a aquisição das vacinas desenvolvidas pela Pfizer e pela Janssen desde abril de 2020. A pasta, no entanto, tem feito críticas nos últimos meses às condições apresentadas pelas empresas, em especial à Pfizer.

Pazuello vem falando que as cláusulas são “impraticáveis” e “leoninas”. O laboratório americano exige, por exemplo, imunidade em relação a potenciais efeitos adversos da vacina e só aceita ser processado em tribunal nos Estados Unidos.
Em nota divulgada nesta segunda (22), a Pfizer rebate as críticas e diz que, até o momento, 69 países já assinaram contrato com condições semelhantes às apresentadas ao Brasil.

No domingo, o Ministério da Saúde divulgou um posicionamento em que afirmava ter pedido uma orientação do Palácio do Planalto sobre como proceder para solucionar o impasse na compra das vacinas. No texto, o ministério diz que mantém interesse na compra das vacinas, mas atribui a falta de avanço nas negociações à “falta de flexibilidade” das empresas.

Em janeiro, a pasta divulgou uma nota em que reconhecia ter recusado ofertas iniciais da Pfizer. A justificativa é que a proposta causaria “frustração aos brasileiros” devido à baixa quantidade inicial de doses, prevista em 2 milhões. O total, porém, era semelhante ao obtido pela pasta naquela mesma semana, por meio da Fiocruz.

Atualmente, o Ministério discute a compra de 100 milhões de doses da Pfizer e 38 milhões de doses da Janssen, segundo informações divulgadas a governadores na última semana.

Folha PE

Governador amplia horário do toque de recolher na Bahia

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), informou neste domingo (21.fev.2021) que ampliou o horário do toque de recolher no Estado para conter o avanço do coronavírus. A medida entrou em vigor no Estado na última 6ª feira (19.fev.2021).

Inicialmente, o decreto, assinado na 3ª feira (16.fev.2021), estabeleceu que as pessoas deveriam ficar em casa das 22h às 5h. Agora, segundo o governador, um novo decreto será assinado e estabelecerá que o toque de recolher será agora de 20h às 5h. O novo horário já vale a partir desta 2ª feira (22.fev.2021). A determinação seguirá em vigor até o dia 25 de fevereiro.

A medida ocorre após o Estado alcançar a marca de 80% de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). De acordo com comunicado da Secretaria de Saúde da Bahia, divulgado neste sábado (20.fev.2021), pelo 2º dia consecutivo o Estado registrou o maior número de pacientes internados em “UTIs Covid-19” desde o início da pandemia. São 868 pacientes adultos e pediátricos em estado grave ocupando leitos nas diversas regiões da Bahia.

O boletim epidemiológico de sábado (20.fev) também registra 68 mortes, o maior número desde 25 de agosto de 2020, quando foram contabilizados 70 óbitos.

Investigado por desvio de dinheiro, Padre Robson pede morte de desafeto em áudio: ‘seria uma bênção’

O padre Robson de Oliveira, da Basílica do Divino Pai Eterno, em Goiás, pode voltar a se complicar judicialmente caso novas provas sejam aceitas pelo Judiciário e a apuração seja reaberta em uma investigação arquivada pela Justiça por desvio de dinheiro doado por fiéis.

A possibilidade é indicada pelo secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda.

“Há indícios fortes de lavagem de dinheiro, [de] organização criminosa, [de que] uma quadrilha que se apoderou [de] uma igreja”, diz o titular da pasta.

Divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo, áudios inéditos, obtidos em celulares do Padre, nos quais Robson estaria discutindo com o advogado Luís Barbosa sobre a situação de outro advogado, Anderson Reiner Fernandes, que teria virado um desafeto. Na ocasião, o padre chega a pedir que o “adversário” seja morto.

“Se o Senhor pudesse matar ele pra mim, seria uma bênção”, diz o padre.

Em outro áudio divulgado, o padre Robson também conversa com a delegada de Trindade, Renata Viera, que foi afastada do cargo na última semana pela chefia. Apesar de ser amiga do líder religioso desde 2009, Renata foi a responsável por conduzir a investigação que envolvia o nome de Oliveira.

“Eu vou levar um policial e um assessor armado. Vai ser na base do Faroeste Caboclo”, afirma o clérigo.

A defesa do religioso disse à Rede Globo que não reconhece a autenticidade dos áudios, os quais poderiam ter sido alterados por hackers.

Em nota, a delegada Renata Vieira disse ao Fantástico que é amiga do Padre Robson desde 2009. Ela afirma também que presidiu investigação de eventual crime de extorsão em que o padre era vítima e que obedeceu às normas da lei.

A defesa do Padre Robson, por sua vez, afirmou que os áudios são “frutos de montagens e adulterações feitas por pessoas inescrupulosas”.

A presidência do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) afirma que não se pode presumir a ocorrência de irregularidades no julgamento de processos a partir de conversa mantida entre advogado e cliente.

Voo com 2 milhões de doses de vacinas decola da Índia

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um avião da companhia Emirates, com remessa de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra covid-19 decolou na madrugada de hoje (22) de Mumbai, na Índia, e deve chegar a São Paulo às 6h55 desta terça-feira.

A aeronave deixou a cidade indiana por volta das 10h30 da manhã (horário local), o que equivale a 2h da madrugada de hoje no horário de Brasília. A carga fará escala em Dubai, nos Emirados Árabes, de onde decolará para São Paulo às 22h40 (horário local) – 15h40 de hoje (horário de Brasília).

O voo chegará a São Paulo amanhã de manhã e as vacinas seguirão para o Rio de Janeiro, onde serão levadas para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

As doses foram produzidas pelo Instituto Serum, parceiro da AstraZeneca na Índia e maior produtor mundial de vacinas. Mesmo prontas, as vacinas precisarão passar primeiro por Bio-Manguinhos para que possam ser rotuladas antes de serem distribuídas ao Programa Nacional de Imunizações.

A importação de doses prontas é uma estratégia paralela à produção de vacinas acertada entre a AstraZeneca e a Fiocruz. Para acelerar a disponibilidade de vacinas à população, 2 milhões de doses já foram trazidas da Índia em janeiro e está previsto um total de 10 milhões de doses prontas a serem importadas. Além dos 2 milhões que chegam amanhã ao país, mais 8 milhões estão previstas para os próximos dois meses.

Enquanto negocia a chegada das doses prontas, a Fiocruz trabalha na produção local das vacinas Oxford/AstraZeneca. Segundo o acordo com a farmacêutica anglo-sueca, a Fiocruz vai produzir 100,4 milhões de doses de vacinas até julho, a partir de um ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado. A primeira remessa desse insumo já chegou ao Bio-Manguinhos e o primeiro milhão de doses produzido na Fiocruz tem entrega prevista para o período de 15 a 19 de março.

De acordo com a fundação, os dois primeiros lotes estarão liberados internamente nos próximos dias. Esses lotes são destinados a testes para o estabelecimento dos parâmetros de produção.

“Com esses resultados, a instituição produzirá os três lotes de validação, cuja documentação será submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esses lotes somarão cerca de 1 milhão de doses e seus resultados serão enviados à Anvisa até meados de março”.

Também está em andamento na Fiocruz o processo de transferência de tecnologia para a produção do IFA no Brasil, o que tornará a fundação autossuficiente na produção das vacinas. A previsão é que as primeiras doses com IFA nacional sejam entregues ao Ministério da Saúde em agosto, e, até o fim de 2021, seja possível entregar 110 milhões de doses, elevando o total produzido no ano pela Fiocruz para 210,4 milhões.

‘Vida perfeita’ em redes sociais pode afetar a saúde mental

Foto: Reuters/Direitos Reservados

Em redes sociais, os chamados digital influencers, ou somente influencers, estão sempre felizes e pregam a felicidade como um estilo de vida. Essas pessoas espalham conteúdo para milhares de seguidores, principalmente no Instagram, rede de compartilhamento de fotos e vídeos, que permite aplicar filtros digitais nas fotos e compartilhá-los em outras redes sociais.

Os influencers ditam tendência e estão sempre mostrando um estilo de vida sonhado por muitos, como o corpo esbelto, viagens incríveis, casas deslumbrantes, carros novos e alegria em tempo integral. Algo bem improvável de ocorrer o tempo todo, aponta a psicóloga Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Feliciência.

“A diferença entre a felicidade autêntica, legítima e real e a felicidade postada nas redes é abismal. Porque a felicidade, tal qual nós abordamos via psicologia positiva, é uma experiência intrínseca, interna, que pode, claro, ser manifestada, mas nada tem a ver com a ostentação de felicidade”, afirma a psicóloga.

A chamada psicologia positiva é o campo da psicologia que investiga a felicidade e os vários aspectos positivos da experiência humana.

A problemática pode surgir com a busca incessante por essa felicidade, que gera efeitos colaterais em quem consome diariamente a “vida perfeita” de outros. Daí vem o conceito de positividade tóxica: a expressão tem sido usada para abordar uma espécie de pressão pela adoção de um discurso positivo aliada a uma vida editada para as redes sociais, avalia a profissional.

O engenheiro mecânico Itamar Brandão Sangi, de 28 anos, disse que atualmente se sente atingido por essa positividade tóxica das redes. “Ao conversar com uma amiga sobre academia, ela me disse que eu nunca estou 100% satisfeito com o meu corpo, aí eu parei e pensei. Eu me considero uma pessoa com uma ‘cabeça boa’, mas mesmo assim fico um pouco insatisfeito por não ter um corpo parecido com aquele influencer”, reflete.

Carla Furtado explica que não é saudável tentar repetir o que se vê na rede. “Não é saudável repetir o que outra pessoa faz, seja uma celebridade ou uma pessoa da rede de convivências. Quando eu tento mimetizar [assumir a forma] o comportamento de outra pessoa, tornar o indivíduo o modelo que eu vou seguir, porque ele alcançou algo na vida que eu desejo alcançar, estou fazendo um caminho equivocado para me construir enquanto ser humano”, argumenta.

Formas de felicidade

A especialista explica que a felicidade tem alguns princípios similares para a humanidade, mas a forma de vivê-la é individual. “A gente tem quase oito bilhões de habitantes no planeta. A gente pode dizer que há quase oito bilhões de formas de se viver a felicidade, embora a gente tenha quase dois pilares em comum: uma vida com um pouco mais de emoções positivas do que negativas e a percepção de uma vida significativa e com propósitos.”

Itamar conta que não é todo o tipo de post que gera nele essa positividade tóxica. “Em relação à infelicidade por não poder visitar aqueles lugares paradisíacos que aquele influencer está, eu nunca senti esse sentimento, graças a Deus. Mas conheço pessoas que se sentem assim e ficam deprimidas”, relatou o engenheiro mecânico, que passa cerca de 4 horas por dia nas redes.

Ele conta que usa com mais frequência o Instagram, em seguida Facebook e o LinkedIn – redes em que acompanha vários influencers. “Acho impossível hoje em dia não ter uma pessoa que não acompanha algum influencer, independente do perfil ou da classe econômica.”

Uso racional

Para manter a saúde mental e evitar ser atingido pela positividade tóxica, o uso racional das redes sociais é o mais indicado, aconselha a médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr).

“O uso racional é o uso equilibrado, em que a pessoa tem outras fontes de prazer, de passatempo, de trabalho, que a pessoa consiga conviver com a família, que consiga praticar uma atividade física, que não se influencie pela vida da outra pessoa. E aí tem também a questão do tempo; se consegue fazer todas as coisas e usa a rede social tem aí um equilíbrio de tempo e de atividades ao longo do dia. É o equilíbrio do tempo e das atividades fora das redes. Agora, quando a pessoa está muito restrita, que sente falta, sente abstinência de ficar sem o celular na mão, este já não é mais um uso racional”.

A psiquiatra destaca ainda que desejar ter uma vida melhor não é o problema, mas sim acreditar que a felicidade só será alcançada quando realizar todos os desejos. “O problema é quando a gente projeta que a felicidade só vai vir quando a gente tiver uma casa maravilhosa, quando viver só viajando, quando tiver aquele carro, quando tiver um  milhão de seguidores, por exemplo. Esse é o problema, desejar uma vida que é muito difícil ter e só depois que atingir todas essas metas que a gente vai ser feliz. Na verdade, a gente tem que ser feliz e seguir aos poucos melhorando.”

Transtornos mentais

Segundo Renata, as redes sociais podem oferecer gatilhos mentais para quem tem algum distúrbio ou transtornos psiquiátricos e agravar os sintomas. “A pessoa que já tem transtornos mentais são as mais vulneráveis, tem outros fatores de risco e a rede pode servir de gatilhos mentais para muitas coisas, por exemplo, nos transtornos alimentares, com comportamentos purgativos, de pacientes anoréxicos, ou bulímicos ”, alerta.

Ela exemplifica ainda com outros gatilhos. “Uma pessoa que está triste porque não conseguiu tal coisa e a outra pessoa está comemorando porque conseguiu, ou a pessoa que está triste e vê nas redes sociais só coisas boas; este também é um gatilho de um paciente deprimido ou ansioso”, complementou.

Influencers também sofrem

Quem está do outro lado também sofre, aponta a psiquiatra. “Os influenciadores sofrem de uma competição constante, ficam o tempo inteiro olhando quantas curtidas tiveram, quantos seguidores ganharam ou perderam. Às vezes, [o influenciador] não quer falar sobre um assunto e acaba tendo que falar porque os seguidores estão perguntando, então causa muita ansiedade, tristeza, medo de perder alguma coisa”, disse Renata.

A exposição também gera baixa autoestima, destaca a psiquiatra. “Posta uma foto que acha que está maravilhosa, uma foto cheia de retoques e filtros e sempre outra pessoa vai encontrar algum defeito, vai criticar. Aí gera o cyberbullying e a pessoa sofre, perde o sono e altera hábitos de alimentação na busca incessante por uma coisa que não é real. A vida do influenciador também não é fácil.”

A psicóloga Carla explica que a positividade tóxica afeta seguidores e influenciadores. “Todos nós perdemos: quem vai buscar replicar um comportamento e quem é alvo de uma clonagem simbólica de identidade também pode enfrentar muito sofrimento”, completa.

Da Agência Nacional.