“Coluninha Indiscreta”

A Menina Prefeita com rabo-de-cavalo.

Por Carlos Pinheiro

Era uma vez que teve outra vez e a Menina com rabo-de-cavalo venceu as eleições contra todos os velhinhos poderosos na Vila de Caruara.

Certo dia, a Menina disse ao pai que queria seguir seus passos e que sonhava em administrar a Vila. O pai, a princípio, relutou. A Menina era muito jovem, sem experiência, embora muito inteligente. A jovem, então, trancou-se na torre e se debruçou sobre livros. Daí pra frente, foi uma sucessão de vitórias em concursos públicos. Foi delegada e procuradora do principado. Provou, então, ao pai, que estava preparada, mas havia relutância por ser mulher, morena, jovem, num território dominado por brancos, velhos… Ser gestora da Vila era luta para gigante.

Daí que, em sonho, o tio da Menina, Fernando Lyra, falecido há algum tempo, homem reconhecido nacionalmente como grande político, respeitado por todos, soprou no seu ouvido:

– Sobrinha, vá, veja e vença!

A Menina acordou sorridente e informou à família ter o maior cabo eleitoral de todos. Registrou, então, a candidatura e, contra os donos do lugar, venceu. E aí, de Vila Caruara, Caruaru nasceu moderna, exuberante, mas não foi fácil. Começou a perseguição da insanidade por aqueles que não queriam largar o poder e ela foi chamada de “menininha”, “prefeitinha” e seu governo de “governinho”. Rancorosos e vaidosos, os velhinhos imaginaram ser impossível a ela fazer um governo melhor que o deles, o que, diga-se em nome da verdade, foram bons administradores, transformadores, modernistas. No entanto, a Menina fez mais e muito mais que todos juntos, e ousou lançar-se à reeleição com ética e respeito pelos personagens do passado, mas enfrentado velhinhos que não souberam pendurar as chuteiras e resguardar suas histórias e, com ódio e medo, se juntaram com as forças ultrapassadas da cidade e além-muros para derrotá-las. Tudo em vão.

A Menina com rabo-de-cavalo, sozinha, agredida, desrespeitada por ofensas, caminhou a sua estrada, conquistando votos aqui e ali, expondo-se num momento de pandemia. Com o plebiscito a favor do seu primeiro governo, recebeu dos munícipes a maior votação registrada na história, mais de 114 mil votos, ganhando no primeiro turno.

Pense numa Neguinha abusada. A Menina Prefeita ganhou de lambuja, sepultando próceres poderosos.

E, do alto do Monte do Bom Jesus, o tio Fernando, sorridente, com seu vozeirão de barítono, bradou para toda a cidade ouvir:

– Homens, mulheres e crianças de Caruaru, informo a todos que a minha dileta sobrinha, Raquel Lyra, venceu novamente! – E ouviu-se o tilintar de taças de champanhe entre nuvens, num belo pôr-de-sol em Caruaru.

Dos velhinhos da política na comunidade, só um, de espírito jovem, apesar da idade, ganhou pela décima segunda vez a eleição para vereador, o Leonardo Chaves. Velhinho sábio faz parte no grupo da Menina Prefeita com cabelo rabo-de-cavalo.

Registre-se também a campanha isolada, solitária, ética e cordial do jovem Raffiê Delon, promessa sucessória dos eleitores mais à direita. A estrela do PT nunca brilhou em Caruaru e, após esta eleição, apagou-se de vez, junto com Lula, Dilma, Hadadd e outros insignificantes. Poderiam ter eleito pelo menos um vereador, mas, não fora a vaidade e o egoísmo dos donos do partido, que excluíram alguns candidatos no Guia Eleitoral, apagaram definitivamente a estrela símbolo de corrupção. Por outro lado, é boa possibilidade que a guerreira Laura Gomes possa vir a ocupar vaga na Assembleia Legislativa.

“Ser velho não é questão de idade. É saber ir, voltar e parar quando o tempo exigir.” – afirmou o sábio filósofo sueco dos, Sir Solrac Oriehnip.

Parabéns, Menina Prefeita! E sucessos!

Vê se pode?!”

Por Carlos Pinheiro.

Comments