O mês de julho é dedicado às campanhas de sensibilização sobre um problema comum em pessoas em tratamento contra o câncer: a Mucosite Oral. O termo refere-se a inflamação das mucosas orais ocasionada pelas sessões de quimioterapia e radioterapia, assim como em pacientes que estão se preparando para o transplante de medula óssea. Para o tratamento da mucosite oral em Caruaru e região, o Núcleo de Oncologia do Agreste (NOA) conta com a Profª Drª Sarah Rachel, mestra e doutoranda em Odontologia pela UFPE e pós-graduada em Oncologia pelo Hospital Sírio Libanês. Ela explica como se chega ao diagnóstico: “por meio de uma anamnese direcionada por um profissional devidamente preparado, avaliando a sintomatologia que o paciente relata, e um exame clínico eficaz, que busque se há presença ou não de lesões, e principalmente para saber diferenciá-las de outras alterações”.

As discussões acerca do problema são intensificadas neste período, denominado “Julho Bordô”, pois este tipo de alteração oral, em um grau III ou IV, não permite ao paciente a ingesta de líquidos e sólidos, devido ao forte quadro de dor, o que acarreta na necessidade de uma dieta parenteral. “Se o paciente se encontra sob uma dieta, esta precisará ser especial, o que acarreta internamento, sendo mais reservado o prognóstico do paciente oncológico, além de afetar diretamente sua qualidade de vida. Abordamos o paciente com a menor quantidade de medicação sistêmica possível, visando evitar reações adversas às medicações. Existe um protocolo medicamentoso personalizado para cada paciente, contendo, na maior parte das vezes, bochechos e pomadas”, ressalta Sarah Rachel.

A especialista explica ainda como as substâncias utilizadas nas sessões de quimioterapia agem para a formação da mucosite oral: “infelizmente, ainda não temos terapêutica antineoplásica que tenha seletividade apenas por células malignas; o que temos no mercado, ainda, são aquelas que destroem o tumor, mas também afeta o tecido sadio. Algumas drogas quimioterápicas são excretadas pelas glândulas salivares, causando mais toxicidade na região. Já o princípio da radioterapia (radiação iônica usada na destruição de células tumorais), age tanto em tecido doente quanto em células e tecidos normais”. Para o tratamento, uma das técnicas mais utilizadas é a laserterapia. “Acima de qualquer terapêutica, considero uma ferramenta fundamental na prevenção e tratamento do problema, pois tem propriedades analgésica, anti-inflamatória e, em associação a um agente fotossensível, trata infecções virais, bacteriana e fúngicas, tudo o que mais precisamos para tratar o paciente oncológico”, enfatiza a especialista.

Ela lembra que as reações orais adversas como consequência da radioterapia ocorrem apenas quando esta acomete lesões em cabeça e/ou pescoço. “Mediante o protocolo medicamentoso e/ou quando ocorre radioterapia em região de cabeça e pescoço, sou comunicada e assim já vemos uma melhor abordagem, olhando o paciente holisticamente. Em seguida, já dou início às sessões de laser e as recomendações de higiene oral, bochechos, dieta e cuidados, individualizado para cada paciente”. Sobre o trabalho desenvolvido no NOA, Sarah Rachel reforça: “a clínica oferece um serviço não só multi, mas sobretudo interdisciplinar. Afinal, a relação precisa ser muito estreita entre os profissionais, pois temos um objetivo em comum que é a saúde e qualidade de vida dos pacientes”.

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