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Foi inaugurado na tarde da sexta (25), o parque naturalizado da Praça Lindaura Severina da Silva, em Caruaru. O equipamento, localizado em frente ao CMEI José Pinheiro dos Santos, no bairro São José, recebeu a intervenção de um projeto de paisagismo interativo, com soluções baseadas em elementos da natureza, na criação dos espaços lúdicos para as crianças e toda a comunidade do entorno. O local foi um dos cinco CMEIS do município com espaços públicos escolhidos para receber a intervenção urbana. Além dele, Caruaru já conta com um parque naturalizado no Monte Bom Jesus, implantado em 2021, ao lado do CMEI Dom Antônio Soares Costa.

A intervenção foi feita sob a orientação do Instituto Alana (Programa Criança e Natureza), parceiro da Urban95, que, junto com a Prefeitura de Caruaru, viabilizou a implantação do projeto que prioriza o brincar livre na primeira infância. “O projeto olha para dentro do CMEI, capacita os professores, escuta toda a comunidade escolar e desenvolve um trabalho com o foco de desemparedar a infância e aproximar a criança da natureza”, explicou o assessor de projetos especiais da Prefeitura de Caruaru, Swami Lima, que está envolvido na ação também como representante da Rede Urban95 na cidade.

A Praça Lindaura Severina agora passa a contar com um projeto de arborização, que foi além da reorganização e manutenção do mobiliário e brinquedos existentes. A ação contemplou a criação de brinquedos naturalizados, construídos a partir de elementos naturais como troncos, plantas e pedras, além do plantio de árvores frutíferas e de espécies nativas. Para oferecer mais segurança, foi construída uma travessia na frente da escola, melhorando a segurança viária das crianças no acesso à praça.

O prefeito Rodrigo Pinheiro participou da inauguração e destacou a importância dos investimentos na primeira infância, como poder transformador no desenvolvimento da sociedade. “Esse equipamento que a gente entrega, agora adaptado, naturalizado, vai, cada vez mais, envolver as crianças da comunidade, permitindo que elas tenham mais contato com a natureza. Isso ajuda a ativar os sentidos das crianças, o desenvolvimento cognitivo, psicológico e isso, com certeza, vai reverberar na vida delas, que são o futuro do Brasil”, destacou.

O evento de inauguração contou com atividades lúdicas e as apresentações culturais do Boi “Tira-Teima” e grupo de dança Pérola Negra. Teve também contação de histórias com Gabi Kopinits e oficina de barro com Azivan Galvão. Foram parceiros: Cardeal, Caruaru Polpas e Produtos Caruaru.

Caruaru e a Urban95

A Rede Urban95 é uma iniciativa internacional, fundada pela Fundação Bernard van Leer, que trabalha os espaços públicos e natureza, a mobilidade para as famílias e o bem estar das crianças, entre outros. Caruaru participa da Rede Urban95 desde o ano de 2020, sendo atualmente uma das 24 cidades brasileiras que integra a rede pela primeira infância (da gestação até os seis anos de idade).

Dona Lindaura Severina e a história do Boi Tira-Teima e o Bairro São José

Lindaura Severina da Silva nasceu no dia 09 de dezembro de 1935, na cidade de Caruaru e cresceu no distrito de Pau Santo. Aos 16 anos, se casou com Sr. Gercino Bernardo da Silva e dessa junção matrimonial, nasceram 22 filhos, criando-se nove. Ambos tornaram-se guardiões do folguedo Boi Tira-Teima, que conheceram quando trabalhavam como agricultores na moagem da cana de açúcar, em usinas canavieiras.

O boi, que surgiu em 1922, a partir de um grupo de pessoas que não tinha condições de brincar o carnaval nos clubes caruaruenses, passou para a guarda de Dona Lindaura e família na década de 1970. Anos depois, ao receber a notícia da abertura de um loteamento pelas bandas da “Queimadinha”, resolveu adquirir um lote de terra para construir o seu novo lar. Um mutirão de amigos construiu uma “meia água”, que depois se tornou uma casinha maior, ajudando a desenvolver e povoar o bairro que hoje conhecemos com São José.

A casa de Dona Lindaura, além de morada, serviu de tenda missionária, pastoral da criança, centro cultural e palco de diversas atividades comunitárias. De uma comemoração carnavalesca, o Boi Tira-Teima transpassou a esfera cultural e se tornou um projeto de inclusão e trabalho social.

A “Vó”, como era chamada por muitos, e “Dinda”, para seu Gerson, morreu em 30 de setembro de 2017. Dona Lindaura deixou, como legado, um papel importantíssimo na manutenção da tradição do Boi Tira-teima e na assistência social. Neste ano de 2022, a agremiação completou 100 anos de existência e segue sob o comando de Roberto Gercino, filho de Lindaura e Gercino Bernardo.

Foto: PMC

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